Judy Garland, trilhando a estrada amarela

Mesmo que não se saiba quem é Judy Garland (coisa que, infelizmente, pode acontecer nos
dias de hoje), a personagem Dorothy do clássico “The Wizard of Oz” (Victor Fleming, 1939) faz parte da cultura mundial. Eu sou fã judy-garland-old-the-wizard-of-oz-vintage-favim-com-1249045da Judy (como resistir àqueles escuros olhos de corça?) e, como a maioria das pessoas, conhecia-a através desse maravilho musical. Entende-se, então, que, mais cedo ou mais tarde, eu teria que falar nela.

No meio de tantas belezas do cinema clássico norte-americano, Judy estava sozinha, deslocada. Não era glamorosa e, quando descoberta, estava numa idade em que não era suficientemente crescida para assumir papéis adultos, nem nenhuma Shirley Temple para encarnar personagens infantis. A MGM não sabia muito bem o que fazer com ela e esteve quase para excluí-la de “The Wizard of Oz” (sacrilégio!). Felizmente a jovem entrou no filme, permitindo-nos ouvi-la cantar Over The Rainbow, a música mais emblemática do cinema. A partir daí começou a sua etapa artística de maior sucesso.

 

 

Emparelhada com Mickey Rooney, os dois representavam, por meio de musicais energéticos (demasiado até), os boys next door com os quais os adolescentes dos EUA se identificavam. Quando a carreira deste começou a desmoronar (meados dos 40), Judy entrou num dos filmes mais amados de todos os tempos: “Meet Me in Saint Louis” (1944), realizado pelo seu futuro marido, Vincente Minnelli, pai da sua filha Liza Minnelli. Sob a direção do notável realizador, Judy faria mais alguns bons filmes.

 

 

annex-garland-judy_12Apesar de profissionalmente adorada, Judy tinha uma vida amorosa atribulada, acumulando casamentos fracassados, além de viver com o medo de ganhar peso e de não ser vista como uma beleza. Porém, o mais grave, era o seu vício em drogas medicinais impingidas, desde cedo, pela MGM para que a jovem conseguisse trabalhar a um ritmo desenfreado e dormir profundamente nas poucas horas de descanso. Esta sua vida atribulada, no meio da qual Judy lutava, aliada, como considera Richard Dyer, à sua androginia e à maneira exagerada e, no entanto, tão verdadeira de se expressar, fizeram dela o ícone gay por excelência.

 

 

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Certa vez, Judy disse “eu acredito na ideia do arco-íris. E eu tenho passado a minha vida inteira a tentar alcançá-lo.” Embora a diva nunca tenha conhecido Oz, deu-nos, para nosso deleite, a possibilidade de o visitarmos, sempre que a vemos e ouvimos. É disto que são feitas as estrelas. E Judy seguramente foi uma das maiores.

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