Fox Blondes, fanfarra do glamour

Por ter tido tantas atrizes loiras contratadas, a 20th Century Fox, um dos maiores estúdios de Hollywood, ficou conhecida por albergar as chamadas “Fox Blondes”. A Fox tinha grandes estrelas morenas: a doce Jeanne Crain, a sensual Linda Darnell e a aristocrática Gene Tierney. Eram estas, e em especial Tierney, que recebiam os mais aliciantes papéis (leia-se dramáticos).

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Gene Tierney, a morena mais bela da Fox

As loiras da Fox estavam mais associadas a comédias musicais hiper coloridas, género imensamente popular nos anos 40.

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Betty Grable, a representante máxima dos musicais da Fox

Eram uma grande tradição do estúdio e os seus filmes eram imensamente lucrativos para a Fox poder investir desafogadamente em filmes de cariz mais sério. A primeira loira da Fox, tirando a criança-prodígio Shirley Temple, foi a cantora Alice Faye, a minha favorita.

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A doce Alice Faye, inesquecível a cantar You’ll never Know em Hello Frisco, Hello (1943). Apesar de tudo, esse não é, de longe, o seu melhor filme. É um gosto vê-la em Week-end in Havana (1943) e Tin Pan Alley (1940)

 

Inicialmente “vendida” como uma nova “Jean Harlow” – cabelo platinado e imenso “sex-appeal” –, Faye foi transformada, nos finais dos anos 30, numa figura mais maternal, melancólica e dotada de um loiro mel, uma tonalidade mais doce.

À esquerda, Alice Faye num estilo semelhante ao de Jean Harlow. À direita, no estilo mais doce que adoptou para o resto da sua carreira.

 

Ainda a atriz era um sucesso quando a Fox decidiu apostar numa tal Betty Grable, uma loira repleta de vitalidade. Quando o estúdio lançou Grable em Technicolor o público logo a ela se rendeu. Grable, que tinhas umas pernas esculturais asseguradas num milhão de dólares, foi a “pin-up” favorita dos soldados norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial.

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A energética Betty Grable. Esta loira magnética deixou uma carreira bastante consistente: além dos musicais simpáticos como Moon Over Miami (1941) e de Springtime in the Rockies (1942), participou também na conhecida comédia How to Marry a Millionaire (1953) e num pequeno e interessante noir, I wake up scremming (1941).

Isto não é de estranhar, dada a sua aparência extremamente americana, saudável, de rapariga sexy mas decente, que prepara pão com manteiga de amendoim ao pequeno-almoço.

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Em meados dos anos 40, Faye abandonou Hollywood, o que fez de Grable a rainha loira da Fox por excelência. A “pin-up” chegou a conhecer uma possível substituta, June Haver, que embora bonita e carismática, nunca viu a sua carreira fortemente lançada. Foi só com a chegada da década de 50 que Grable viu os seus dias de grandeza contados.

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Uma das minhas loiras favoritas da Fox, June Haver não chegou a ter a fama que se lhe havia planeado. O seu melhor filme é muito provavelmente The Dolly Sisters (1945) com Betty Grable. Embora Grable seja a estrela principal do filme, Haver parece-me estar melhor no seu papel (já para não dizer que tem um rosto mais delicado).

 

A guerra havia terminado, assim como a frescura juvenil da loira. E quando a nova aposta oxigenada se chama Marilyn Monroe não há competição possível. Fala-se que Zanuck nunca gostou de Monroe, dizendo que não era fotogénica! Mas o público gostou, e muito, catapultando-a para o trono de uma das maiores estrelas de Hollywood.

 

Marilyn é Marilyn

How to Marry a Millionaire não envelheceu da melhor maneira. A história é algo previsível e datada. Ainda assim, é um filme cheio de charme estético e de boas interpretações. Seguramente que é hoje recordado por ter Monroe. Ainda assim, e apesar da estrela protagonista ser Bacall, quem eu mais gosto no filme é da veterana Grable.

 

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Jayne Mansfield teve uma carreira curta e não particularmente interessante. Ainda assim, é garantido o seu lugar no mundo pop. É hoje mais lembrada que Alice Faye ou Betty Grable.

Em meados dos anos 50, a Fox lançou duas cópias de Monroe, encarando-as como suas possíveis substitutas: Sheree North, bonita e talentosa, e Jayne Mansfield, que atuou como uma paródia da própria Monroe.

 

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Bela Sheree North

Na altura da morte de Monroe (1962), o “studio system” estava a queimar os últimos cartuchos e, a partir daí, o cinema já não seria o mesmo. A época das “Fox Blondes” havia terminado. Abençoado DVD que nos permite assistir a esses filmes coloridos da Fox, cuja fanfarra inicial acompanhada por aquele fabuloso logótipo significa, alegre e matematicamente, “loira+musical+technicolor”.

 

 

Esta crónica foi por mim escrita para o jornal O INTERIOR. Pode ler-se através do seguinte link: http://www.ointerior.pt/noticia.asp?idEdicao=921&id=55531&idSeccao=13357&Action=noticia.

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